Conforme o tempo vai passando, algumas coisas tendem a se perder por nossa memória; porém, existem determinadas significações que jamais devem ser esquecidas, já que consistem em ações básicas de nosso quotidiano, e o ao se perderem poderiam até mesmo fazer com que você não compreendesse o verdadeiro sentido de alguns fatos que fazem parte do nosso dia a dia.
O esquecimento ao qual nos referimos acontece por causa do que costumamos chamar de “rotina”, pois quando passamos a fazer algo com muita constância, este passa a crescer dentro de nós, evoluindo os seus ensinamentos, e nos levando ao conseqüente encobrimento daqueles que foram os ensinamentos básicos, as raízes que nos sustentaram até então.
Por isso agora, relembremos algo que vem lá do inicio da Umbanda que conhecemos, os significados dos principais rituais que nela se realizam contidas numa única Gira, e que por acontecerem tão freqüentemente, são facilmente desapercebidas.
Local, local onde Zelador de Santo (Pai espiritual), filhos, irmãos e simpatizantes, entra em comunhão com Deus Criador, com os Orixás e com os mentores espirituais. É Nesse solo sagrado que recebemos; doamos e principalmente aprendemos a Amar, Perdoar, resgatar, ajudar ao próximo, sem distinção de cor, condições sócias.
Que todos respeitem esse solo, zelando pela limpeza, não só no aspecto material, mas também no aspecto moral, pois só assim conseguiremos estar mais próximo de Oxalá.
Zelador de Santo (Pai Espiritual / Babalaô)
Babalaô ou Pai Espiritual é o responsável pelos filhos, o templo, cuidar dos Orixás, fazendo as firmezas do terreiro e cuidar da coroa de cada um que foi entregue a ele por confiança.
É ele que cuida da coordenação de todo o trabalho para que os mesmos não tenham problemas observando tudo ao seu redor, e que muitas vezes falto o tempo para dar atenção a todos os filhos, ficando a cargo dos Pais Pequenos o desenvolvimento Mediúnico ajuda e auxilio aos Médiuns quanto da incorporação e desincorporação, não esqueçamos que o Babalaô é Pai, amigo, conselheiro, aquele a quem confiamos a espiritualidade, que dispõe do seu tempo, às vezes da família para que cada filho cresça, não esqueçamos irmãos que na figura do Babalaô e Pais pequenos existe seres humanos que também tem seus problemas e suas vidas, estão irmãos vamos respeitar essas pessoas que se doam para o nosso bem estar é o mínimo que devemos fazer.
Quando sabemos que em determinado dia ocorrerá uma Gira, nós os filhos-de-santo devemos tomar algumas providências que com toda a certeza nos ajudarão a se preparar para ela.
Este banho tem o poder de limpar e defender o corpo de qualquer negatividade que possa nele existir, dando-lhe melhores condições para desempenhar o seu papel nas Giras. Porém vale o lembrete de que o banho de defesa só é tomado após o banho comum, sendo lavada somente à parte de abaixo do pescoço (pois a cabeça pertence ao Santo de cada um), e deverá ser levemente enxuto deixando com que o restante se seque no próprio corpo.
Para complementar essa preparação, deve também acender uma luz ao nosso anjo-de-guarda, pedindo a sua proteção para que tenhamos condições de nos entregar totalmente à Caridade.
Os dias que intermediam as Giras realmente demoram a passar, e ao se rever às pessoas que tanto gostamos surge àquela vontade de colocar todos os assuntos em dia. Isso de modo algum é proibido desde que seja feita antes do ato de bater-cabeça e acontecer fora das dependências internas do templo, pois dentro deste deve-se guardar o silêncio em respeito a Oxalá, e aos Guias e Orixás que ali aguardando o inicio da Gira.
Depois de colocar a roupa branca, chega a hora de entregar-se ao Pai e realizar todos os rituais necessários a nossa segura permanência dentro da Gira.
Dentre esses rituais, o primeiro é o de bater-cabeça, onde nos entregamos a Oxalá com o verdadeiro intuito de se realizar a caridade com muita seriedade e consciência do ato que se praticará, e o qual nunca devemos nos esquecer.
Ao iniciar os trabalhos, já devemos estar totalmente imbuídos no sentido de entrega plena aos entes espirituais, de modo que à vontade de Oxalá seja feita e possamos mais uma vez cumprir nossa obrigação.
Para que fortificamos este sentimento, se faz necessário que a prece de abertura seja sentida verdadeiramente, e não somente recitada. Temos realmente que nos fazer ouvir por Oxalá para que este esteja presente durante toda a Gira, nos ajudando a recarregar a energia gasta durante toda uma semana.
O mesmo é dito ao se bater-cabeça. Muitos não conhecem o significado deste ato, que além de transparecer o nosso respeito a nossa humildade aos Orixás, também é a demonstração da união e coletividade que são fatores essenciais a qualquer templo que trabalhe em prol da Caridade.
A firmeza de cada integrante da corrente de faz extremamente necessária nessa hora, pois é ai que toda a negatividade que possa haver se imiscuído dentre a corrente será varrida para fora do Templo, de modo que não possa interferir no perfeito fluxo da Gira. Porem, se os Médiuns não se mantiverem mentalmente firmes no propósito de bani-las, essas forças negativas poderão oferecer maior resistência e até permanecer entre a corrente, podendo atrapalhar assim aos rituais que se procederão.
Esse é o momento que compõe a essência básica de todos os rituais que o antecederam. É o momento em que os médiuns devem se dispor realmente à Caridade, em amor aos seus Guias e entregando-se a eles de forma que possam vir trabalhar e ajudar a si e aos que deles necessitam.
Mas são muitas às vezes em que somos perturbados por algumas dores ou determinados problemas, e já achamos que não temos condições de deixá-los vir. Bem, esse julgamento é um julgamento que cabe somente a Oxalá, que foi a quem você se entregou quando bateu-cabeça, e aos seus próprios Guias que sabem de suas condições, e não viriam se estas lhe faltassem.
Portanto, não ligamos o nosso Piloto Automático, e deixemos que os desígnios divinos cuidem de nós, pois DEUS sabe o que faz, e cabe-nos somente à parte de nos entregarmos de coração, e nos desligar de tudo o que acontece fora dali.
E quanto aos Médiuns que ainda não incorporam, que não incorporaram naquela Gira ou fizeram sua opção pela não incorporação, não pensem que foram esquecidos, pois cada um, dentro da sua função, seja de cambono, curimba, cantador, são de essencial importância, pois sem vocês os Guias não teriam condições de trabalhar. Portanto, estes devem manter em silencio e se dispor em ajudar naquilo que for preciso, e assim também estarão contribuindo para a pratica da Caridade.
Irmão de fé – Amar a “Deus” sobre todas
as coisas e ao teu irmão como a ti mesmo
Seres humanos imperfeitos que somos costumamos sempre ver e perguntar o porquê de nossos problemas, a falta do perdão e do amor ao próximo é as principais causas deles, aquele que não consegue perdoar amarra-se ao outro por um cordão que não se quebra nunca, ficando ligados um ao outro por toda uma vida, aumentando nossas limitações. Antes de julgarmos aos outros devemos também nos questionar quanto a nossa conduta, para também não sermos julgados, antes de darmos nossos julgamentos, vamos irmãos nos colocar na vez daquela pessoa para sabermos se gostaríamos de saber que estão falando de nós, vamos nos vigiar irmãos para não cometermos com os outros aquilo que não gostaríamos para nós.
Só quando alcançamos o perdão verdadeiro, aquele que vem do coração é que crescemos tanto espiritualmente quanto materialmente, deixemos de ser mentirosos, hipócritas ou vaidoso, vamos estender nossos braços aqueles a quem precisam e deixarmos o egoísmo de lado. A vaidade pode acabar com a própria espiritualidade do médium e quando ela aparece nunca vem sozinha, vem sempre acompanhada da inveja e desilusão, lembremos sempre irmãos, nós somos os únicos donos da nossa derrota, para combatermos esses maus que nos acompanham, devemos sempre praticar a caridade sem sair pelo mundo daquilo que fez e adotarmos Oxalá em nossos corações.
Nós irmãos de fé, devemos nos respeitar sempre como seres humanos, maridos, esposas, filhos para que a amizade perpetua sempre dentro do terreiro. A intriga, inveja desavença e a preguiça não faz parte da nossa querida Umbanda, esta religião que não faz restrição a nenhum ser encarnado ou desencarnado.
Nota: A toalha e um instrumento de trabalho Consagrado ao médium não podendo ser transferido essas energias para outros médiuns, por isso é necessário que todos há tenham.